quarta-feira, 29 de abril de 2009

Bori



É inquestionável que o Bori é o ritual mais importante do candomblé. Consiste em dar comida a cabeça espiritual da pessoa, com a finalidade de harmonizá-la. Pois é através de uma harmonia espiritual que uma pessoa tem saúde, força, alegria, tranquilidade, longevidade, e todas as coisas boas da vida.
Diferente dos que muitos fazem, não existe uma receita pronta para o Bori. Sendo a cabeça única, individual, deve-se ver no jogo, o quê e de que forma ela quer comer. Apenas como exemplo, uma cabeça pode querer comer em total silêncio; uma outra pode querer apenas água. As possibilidades de variações são inúmeras e é no jogo que se vê como aquela cabeça irá comer.
Um Bori não é brincadeira, a cabeça espiritual da pessoa será invocada, o que a deixará neste momento com o canal aberto. Todos os participantes devem ser de inteira confiança do Babalorixá/Iyalorixá, e todos devem estar sincronizados em pensamentos positivos para aquela pessoa.
Vale destacar que no Bori são reverenciados os ancestrais familiares da pessoa. Os ancestrais masculinos são reverenciados do lado direito do corpo, e os femininos no lado esquerdo. O Babalorixá/Iyalorixá pergunta se a pessoa tem pai e mãe vivos, e de acordo com a resposta, realiza os fundamentos necessários para que o Bori seja completo e em acordo com o que a própria cabeça determinou no jogo.
Quanto ao poder desta obrigação não é preciso dizer nada, quem passou sabe do que se trata.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Obá


Nossos artigos levam em conta a realidade dos candomblés ketu de hoje, porém o nosso norte são as primeiras casas de candomblé plantadas na Bahia. Ressaltamos que não existe uma casa igual a outra, pois uma casa representa o ori do Zelador daquele axé, que ali está plantado. E como não existe uma cabeça igual a outra, também não existe uma casa igual a outra.

É comum vermos o culto de Obá incorporado ao culto de Oya, mas apesar das semelhanças são Iyabás distintas, ligadas a diferentes compartimentos da natureza, onde Oya é o vento e Obá as águas turbulentas.

Na próxima semana, todos que estão cadastrados na Ezine do site Axeorixa.com estarão recebendo em seu e-mail, importantes fundamentos dessas duas grandes Iyabás em Ketu.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Odé no Axêxê


Oya não satisfeita com a aparência assustadora de seu filho Egungun, iniciou um concurso, pedindo a todos os Orixás que fizessem uma roupa para Egungun, a fim de resolver o problema.

Todos os Orixás fizeram uma roupa, mas a roupa feita por Obalufon, Orixá da criatividade, muito agradou a Egungun, porém não resolveu o problema e as pessoas continuavam fugindo apavoradas, pois sabiam que embaixo da roupa estava Egungun.

Odé chegando de uma caçada, vestiu Egungun com a carne e o couro dos animais que trazia. Isto transformou Egungun em humano e, indo ao mercado ninguém mais se amedrontava, pelo contrário, até o cumprimentavam como faziam habitualmente com as outras pessoas.

Egungun havia se tornado um Ser Humano de muita sorte, teve esposa, filhos, prosperidade...
Oya muito satisfeita, deu um Cargo a Oxossi, o qual passou a representar o Renascimento e ser fundamental para assegurar a sucessão. Por isto Oxossi é invocado no Ritual do Axêxê.

Desde então as pessoas para renascerem Egungun procuram Obalufon. Equanto as pessoas para renascerem em carne procuram Oxossi.
Nada faz sentido no Culto aos Orixás se não houver o Axêxê. O Axêxê é o início de tudo.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Cozinha de Candomblé.


A cozinha de uma Casa de Candomblé é um espaço onde tudo se torna sagrado. Não se deve falar alto, gritar, cantar, dançar ou ouvir músicas que não sejam do Santo...e dependendo do que está sendo feito, não deve ter a presença de pessoas não iniciadas.

Ali se aprende muito mais que o ponto certo de um prato, como por exemplo: que não se mexe a comida do Orixá com outra colher que não seja a de pau, que não se dá as costas para o fogo, que não se joga água no fogo, que a presença de determinadas pessoas pode fazer desandar a comida...aqui tudo ganha significado.

A cozinha é uma grande escola, onde se aprende as mais antigas tradições do Culto aos Orixás: o que se oferece, o que não se oferece, o que se come, o que não se come, como se come, com quem se come...
São inúmeros os ingredientes e objetos ali utilizados. Apenas como exemplo, o azeite de dendê e a pimenta, que são ingredientes quentes, no que se refere ao paladar.

Em seu livro, Os Nagôs e a Morte, Juliana Elbein dos Santos, classifica os sangues em: branco, vermelho, e preto. Estando as cores ligadas ao sentido da visão. É um bom livro e inclusive recomendo, tendo essas três cores uma grande importância dentro do Culto.

Porém, Juliana Elbein não faz nenhuma classificação no seu livro, em relação aos outros 4 sentidos: paladar, audição, olfato, e tato. Incompleto, Os Nagôs e a Morte é apenas "parte de um trabalho", que em sua totalidade vai muito além do conteúdo do livro.

Um Grande Visionário


Pierre Verger, um exemplo de sabedoria compartilhada e de amor aos orixás. Um olho que via verdadeiramente, que enxergava com clareza a liberdade existente em nossa religião, demonstrando isso em cada click, em cada uma de suas atitudes, em seus textos e expressões, como a que segue: " gosto do candomblé porque é uma religião onde a pessoa pode ser o que é, e não o que a sociedade quer que ela seja. "

Uma vida dedicada a documentação da cultura Yorubá e ao compartilhamento de suas informações com o mundo, onde se inclui o candomblé brasileiro. Um eterno viajante, um diamante da cultura afro, uma trajetória de vida emocionante que dá gosto conhecer e falar.

Seus livros:


1954
- Dieux d’Afrique. Culte des Orishas et Vodouns à l’ancienne Côte des Esclaves en Afrique et à Bahia, la Baie de Tous les Saints au Brésil

1956 - Indiens pas morts

1957 - Notes sur le culte des Orisá et Vodun à Bahia, la Baie de tous les Saints, au Brésil et à l’ancienne Côte des Esclaves en Afrique

1968 - Flux et reflux de la traite des nègres entre le golfe de Bénin et Bahia de Todos os Santos du dix-septième au dix-neuvième siècle

1980 - Retratos da Bahia, 1946 a 1952

1981 - Orixás, Deus iorubas na África e no Novo Mundo

1982 - 50 anos de fotografia.

1993 - Pierre Verger, Le Messager. The Go-Between - Photographies 1932-1962

1995 - Ewé : o uso das plantas na sociedade iorubá